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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

27 de setembro de 2004

"JOYAHOLICS"

“Mais uma dose? É claro que eu tô afim! A noite nunca tem fim. Por que que a gente é assim?”

Há muito tempo já é conhecido, entre nós brasileiros, o termo inglês “workaholic”, que é empregado para designar aquele cidadão que é viciado em trabalho. Este tipo de sujeito está sempre disposto a uma nova jornada de trabalho, inclusive dedicando a este as horas que deveriam estar reservadas ao lazer e ao descanso. Mas felizmente não estou aqui pra falar deste tipo de indivíduo. Não. O que me move é a possibilidade de debater aqui um outro tipo de comportamento, parecido com o dos workaholics, mas ao mesmo tempo inverso: os joyaholics.
Não sei bem se já existe tal termo, mas se não existe, acabo de inventá-lo e exijo minha patente. Trata-se daquele ser humano insaciável, incansável e de um vigor físico inexplicável, viciado em baladas. Todos conhecemos pelo menos uma pessoa assim. Eu, por exemplo, conheço algumas mas destaco uma em especial: eu mesmo.
Não é difícil identificar um joyaholic, uma vez que suas características principais podem ser facilmente diagnosticadas. Em caso de superposição de programas, o joyaholic será sempre aquele incapaz de escolher um único programa e certamente será visto nas três festas daquela noite, sempre com o copo na mão, demonstrando grande resistência. Além disso, quando a última das três festas acabar, será ele também o último a sair da festa, estando ainda aberto a convites para mais algum evento mesmo naquela hora, às nove da manhã. Esse momento, do fim de festa, é um momento especial pois aí ocorre a confraternização dos joyaholics, uma vez que são sempre os mesmos elementos a desejarem a noite até seu último segundo, já se conhecem de longa data e não raro tornam-se amigos.
O interessante disso tudo é que muitas das pessoas que participaram da noite sem sequer metade do empenho de um joyaholic, no dia seguinte apresentam-se com o dobro da indisposição, pois seu corpo ainda não está preparado, ainda não foi submetido aos tantos acúmulos de excessos superpostos que deixam o corpo do boêmio altamente preparado para a insanidade noturna. Podemos fazer a comparação, por exemplo, com um atleta olímpico que submete seu corpo a treinamentos intensos e dolorosos a fim de alcançar melhor desempenho nas competições. Como todo atleta de ponta, é certo dizer também que o joyaholic não sai ileso dessa absurda maratona.
Assim como jogadores de futebol aposentados apresentam problemas nos joelhos, os de vôlei sentem os ombros e os boxers chegam a apresentar em alguns casos até o Mal de Parkinson, também o boêmio haverá de manifestar um dia alguma seqüela. Resta-nos esperar para ver o que o futuro nos reserva. Mas enquanto o futuro não chega, vamos bebendo.

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