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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

29 de setembro de 2010

O TEMPO AO LONGO DO TEMPO

Houve um tempo em que todo mundo tinha o mesmo relógio. Era o sol. O aborígene acordava na Austrália, saía da sua caverna e olhava pra cima: “é de manhã”. O esquimó saía do seu iglu, se é que naquela época já existiam esquimós e iglus, dava uma espiada no céu e sentia a fome do jantar. Era assim: toda a humanidade e um só relógio. Funcionava. Tanto funcionava que estamos aqui, eu e você, pra provar.

Passou um tempo e inventaram de colocar um relógio em cada cidade. Ficava bem na Igreja, e vinha com um sino. O badalo tocava um mesmo som pra todo mundo ao mesmo tempo, e avisava pra vila inteira que era hora de rezar, pra quem era do sagrado, ou de pecar, pros que eram do profano. Cada um com seu costume, seu caminho, mas todos os conterrâneos seguindo o mesmíssimo relógio.

Mas acontece que, de tanto seguir badalo de sino, as pessoas começaram a ficar apegadas demais a essa história de horário. Horário pra isso, hora pra aquilo, de maneira que não se contentavam mais em ficar sabendo a hora só de hora em hora, não! Ainda por cima dependendo da vontade do padre: inventaram o relógio de parede. Assim podiam acompanhar de perto a passagem do tempo, cada minuto, até os segundos. Veja você: a mania era tanta que tiveram que inventar até um ponteiro de informar os segundos. E um relógio em cada casa. O horário podia até variar um pouquinho de uma casa pra outra, de um relógio pro outro, mas pelo menos era compartilhado pelos membros da família. O problema era quando alguém saía. Dava um desespero danado de não poder acompanhar mais os minutos, os segundos...

Pra resolver isso, bolaram um novo conceito: o relógio individual. Cada um tem o seu. Começou sendo de bolso, depois virou de pulso, e agora pode ser visto embutido em telefones celulares e demais engenhocas tecnológicas. Com essa maravilhosa invenção, cada ser humano no planeta pode acompanhar em tempo real a sua vida passando. Ufa! Enfim podemos esquecer do sol e do sino, podemos até matar o cuco.

O relógio, que já foi um pra todo mundo, agora é um pra cada um. Cada um por si. O tempo também já não é de todo mundo: cada um tem o seu. E acho que isso explica muita coisa...

9 comentários:

Maria José Speglich disse...

Este texto é de sua autoria??
Gostei muito.

Frederico Bernis disse...

É sim.
Obrigado, Maria.

Quel disse...

Otimo texto Fred. Cada um tem o seu. Que bom quando os tempos se encontram!

Anônimo disse...

Aquela moça ali embaixo, a de toda quinta, ela também tem seu tempo. Mas é preciso esperar a hora certa, o momento em que ela se dará conta de que o controle é mesmo uma ilusão, e que o choro constante é o melhor sinal de que um novo caminho é necessário. O tempo cuida disso, sempre.

Natália Menhem disse...

Tempo, tempo... Que não pára, corre, arrasta, empaca, muda, cura, passa...

Também gostei muito deste texto. Parabéns.

M.L disse...

é bem melhor assim,quando fazemos o que vem na nossa cabeça com o próprio tempo.já pensou se ainda tivessemos que depender do sino ou da luz do sol ?
Eu acho que iria gostar mesmo assim viu...

Gostei do seu blog e vou seguir,

Dê uma passadinha no meu também, é novo e tem uma história bem interessante.

Um beijo grande.

Maria Giulia disse...

Vi esse texto em um outro blog, é seu?
Gostei muito, alias, seus textos são muito bons!

Frederico Bernis disse...

Oi, Maria Giulia.
São todos meus, sim.
Bom que você gostou.
Mas viu o texto antes onde, hein?

Maria Giulia disse...

Eu não me lembro o nome do blog, vejo sempre alguns: wordpress, blogspot, etc.
Mas, novamente, meus parabéns Visito sempre o seu.
As palavras valsam em sua escrita.

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