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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil

5 de julho de 2004

TRAIÇÃO

Vou contar uma coisa sobre o comportamento masculino que, para muitos, talvez não seja novidade. Mas é algo que precisa ser dito. Existem apenas dois tipos de homem: os que traem e os que querem trair. Deve haver, eu imagino, alguns que são fiéis, mas estou aqui para falar apenas dos normais.
Para mim, esta é uma constatação de um dado obvio, evidente. Se quiser saber se um homem é do tipo que pega outras mulheres ou do tipo que quer pegar, basta prestar atenção no modo como tratam suas esposas. Aqueles que traem as esposas tratam-nas melhor.
O problema é que para este mesmo homem, nascido e criado para trair, foi armada uma arapuca, um script da vida que não condiz com a premissa inicial da infidelidade. Todo mundo sabe que o caminho dito “normal” é o sujeito se casar, ter filhos, criar os filhos, ter netos, blá, blá, bla´... Entretanto, a mesma sociedade que desenhou este caminho não aceita a infidelidade, e é aí que começa toda a podridão.
O que acontece é o seguinte: se sabemos que o rapaz ou trai ou quer trair, como então conciliar este dado com a vida de casado? Vejo, num primeiro momento, duas respostas a esta pergunta. Uma das soluções mais imediatas é o sexo comprado. Facilita demais a vida do marido, uma vez que este não se sente realmente um infiel, na medida em que está pagando por um serviço que o desobriga a ter qualquer tipo de envolvimento com a prestadora. Isso, para o marido, é uma beleza. Ele sabe que, para a mulher, sentimento é uma coisa muito importante num relacionamento. Se não há sentimento, a traição é menos grave. A prostituta se torna, assim, uma espécie de carregadora de piano. Ela é paga para tirar das costas dos maridos o peso da mochila da traição. Outra opção, talvez mais antiga que a mais antiga das vocações, é a chamada vista grossa. A mulher sabe que está sendo traída, sempre. O que ela faz? Algumas, as mais autênticas, realmente brigam e terminam o casamento. Outras, porém, mesmo sabendo da traição, tentam manter as aparências. São as piores. Às vezes, traem o marido numa forma de vingança que pode acabar se transformando num autoflagelo. A mulher acaba se degradando, se mutilando, se torna capaz de atos incoerentes com seu pensamento. O ser humano sempre procura o caminho da autodestruição. É da sua natureza.
O leitor deve ter percebido que escrevi o texto deixando clara a participação do homem de forma diferente à da mulher. Entretanto, hoje sabemos que este tratamento diferenciado não precisa mais ser dado. As mulheres, em questões dessa natureza, estão cada vez mais parecidas com os homens, com o agravante de que são melhores em dissimular. Pode-se trocar a palavra “marido” por “esposa”, “homem” por “mulher”, e o que quero dizer ainda assim fará sentido. Mas o que quero realmente dizer?
É o seguinte: se sabemos, e como sabemos, de tantos casos em que houve a traição, por que não aprendemos a relevá-la? Por que não a tratamos como fato corriqueiro cotidiano? Só para começar, poderíamos parar de denominar “traição” as relações extraconjugais. O conceito de “traição” está diretamente ligado à idéia de deslealdade. Pois vejam: se não houver mentira, não haverá a deslealdade – não é traição.
O motivo que me induz a levantar essa questão já foi citado acima, mas vale a pena insistir: se há tanta gente traindo seus parceiros, por que então não transformar a relação extraconjugal em algo difundido e aceito pela maioria? Por que não facilitamos as coisas? Será que é necessária a sensação de perigo? Será que precisamos sentir o prazer de transgredir as regras do jogo?
A outra opção seria aprendermos a não querer trair, mas isso, a esta altura do campeonato, eu acho difícil. O que há, na doentia mente humana, que nos faz trair mas abomina a idéia de sermos traídos?



3 comentários:

Anna Barra disse...

Adorei a sua perce~ção. E concordo com o que você diz. A única coisa que tenho certeza na vida, além da morte é que irei ser traída, e talvez por vingança ou covardia trair.
Para as mulheres casadas atá a minha geração, tenho 27 anos, acho mais difícil trair simplesmente pelo desejo. A mulher ainda vê o casamento como um sonho, uma casinha involta em uma redoma.
Agora, tudo seria mais prático e realista se o jogo fosse aberto. Perderia até o mistério, o sabor do proibido e poderia até perder a graça.
Eu sou ciumentíssima, porém não vasculho, não questiono e nem procuro saber porque é claro....o cara vai me trair mais dia, menos dia....Agora, se eu quero terminar, encontrar um motivo...a busca torna-se incessante...
Valeu!

Anna Barra disse...

Adorei a sua perce~ção. E concordo com o que você diz. A única coisa que tenho certeza na vida, além da morte é que irei ser traída, e talvez por vingança ou covardia trair.
Para as mulheres casadas atá a minha geração, tenho 27 anos, acho mais difícil trair simplesmente pelo desejo. A mulher ainda vê o casamento como um sonho, uma casinha involta em uma redoma.
Agora, tudo seria mais prático e realista se o jogo fosse aberto. Perderia até o mistério, o sabor do proibido e poderia até perder a graça.
Eu sou ciumentíssima, porém não vasculho, não questiono e nem procuro saber porque é claro....o cara vai me trair mais dia, menos dia....Agora, se eu quero terminar, encontrar um motivo...a busca torna-se incessante...
Valeu!

Anônimo disse...

Hipocrisia ou não, vivo um relacionamento em que acredito ser traída e não me sinto mal com isso. Eu também traio, mas não o faço por vingança (aliás não tenho o que reclamar dele) até porque sempre fiz isso, mesmo quando cegamente apaixonada. Amo muito meu marido e não gostaria de viver mais sem ele, porém não resisto a um belo espécime masculino. Simples assim. Não me envolvo emocionalmente com os outros, sinto prazer nas aventuras e delicio-me com o fato de nem me lembrar dos rostos daqueles com os quais eu estive. Nem estou preocupada com o que faz que os homens traiam; vivo minha vida. Sou assim e sou feliz de verdade. No entanto, em relação às argumentações de Jabor, acredito que o grande motivador das traições seja realmente a cultura. Tiro isso por mim que fui criada para ter uma vida sexual ativa sem que isso esteja ligado a tabus ou a falta moral. Se a traição estivesse relacionada ao suposto incontrolável instinto masculino, isso confrontaria o fato de sermos racionais, algo que pressupõe CONTROLE diante das possíveis consequências ruins de uma traição. Concordo com ele quando insinua ser bom comentar com amigos sobre quem o homem pega, porque sinto e faço o mesmo. É contar vantagem mesmo!!!!!!Além disso, por não me culpar por nada, mantenho sempre minha mente erotizada, me masturbo sempre que desejo e me preocupo com a minha satisfação sexual. Penso que se as mulheres se preocupassem mais com isso talvez passariam a ser mais insaciáveis sexualmente, mais independentes emocionamente e consequentemente mais felizes. Bem, quanto ao meu casamento, meu marido pode até se aventurar por aí, mas eu sei que para qualquer “concorrente”me superar será dificil. Por quê? Porque todos os outros homens ficam enlouquecidos por mim; assim, por que meu marido seria bobo de perder uma esposa inteligente, independente financeiramente, bem humorada, que não pega no pé(ñ peço exclusividae…) e acima de tudo é INSACIÁVEL? Acho que é por isso que ele lambe o chão que eu piso…

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